domingo, 6 de setembro de 2009

A dupla perfeita

Aquela cena se repetiu durante vários meses nas tardes ensolaradas de Quase Lá.O que se via era algo extremamente comum,mas faria brilhar os olhos de qualquer observador.
Eles eram uma dupla perfeita.Andavam de mãos dadas pela praça.Ela segurava a mão dele com a maior segurança do mundo.Ele sorria para ela como se observasse a coisinha mais linda .Ela andava com dificuldade,tropeçando nos paralelepípedos e ele andava devagar,já apresentando os sinais da idade.
Enquanto eles andavam ele esperava calmamente aquela criaturinha observar os pássaros que ali pousavam.Ela os analisava milímetro a milímetro, das penas até o bico,como se cada um fosse a mais rara jóia já vista.
Depois de um tempo, sentavam em um banco.Ele contava a ela coisas sobre a vida,sobre o mundo,sobre tudo o que ela um dia entraria em contato e ela o escutava com a atenção de uma estudante apaixonada.
Quem os observava,vendo todo aquele carinho,aquela cumplicidade,via também dois extremos.Ele tinha lá seus oitenta anos,rugas sofridas,olhos cansados e uma expressão de quem já vira muito mais do que qualquer livro pode contar.Já ela, assemelhava- se com uma flor que esperava ansiosamente para desabrochar,com seus olhinhos brilhantes e azuis,suas bochechas rosadas,seu macacão cor de rosa e sua pequena boneca nos braços.
Eram tão lindos de observar que até comoviam.Avô e neta eram tão distantes e ao mesmo tempo tão próximos,os últimos e os primeiros passos de duas vidas tão brilhantes.
Era possivel observar aquela cena todas as tardes até o por do sol quando ele,já um pouco cansado levantava-se e oferecia-lhe a mão anunciando o final do passeio.
_________________________________________________Mariana Marise F.Leite

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